Gabinete de Psicologia do Trabalho lança nota alusiva ao Dia Mundial da Consciencialização do Stress

O Dia de Consciencialização do Stress pretende sensibilizar as pessoas para a importância do bem-estar físico e mental sobre a «epidemia de saúde do século XXI», como é designada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pois afeta cada vez mais pessoas a um nível global, constituindo uma realidade inescapável no mundo de hoje.

O Stress não é apenas um termo que se relaciona vagamente com uma situação incomodativa. Quando existe uma situação que provoca uma resposta de stress, são desencadeados níveis biológicos, alterações do sistema nervoso, endócrino e imunitário, originando modificações metabólicas, alterações nas funções biológicas fundamentais e deixa o organismo propício a infeções.

Em 2018, um estudo publicado na revista científica Neurology refere que o Stress quando se torna crónico, provoca um aumento do nível de cortisol (a hormona produzida pela glândula suprarrenal, responsável pelo controlo do Stress) afetando o cérebro humano de forma irreversível. Pode alterar o seu tamanho, reduzindo o volume cerebral, e apresentar alterações de funções cognitivas, como perda de memória e diminuição na concentração, interferindo também na capacidade de decisão, julgamento e interação social.

Mas como se define o Stress?

O Stress é uma reação a um sentimento ou emoção que nos prepara para lidar com situações que exigem mais foco mental ou mais intensidade muscular, manifestando-se através de sintomas físicos e emocionais como cefaleias, tonturas e náuseas, dor no peito e frequência cardíaca mais acelerada, aumento de ansiedade, depressão ou tristeza, agitação psicomotora, incapacidade de relaxar, perturbação do sono, etc.

E o que acontece se estivermos sujeitos ao Stress de forma contínua ou permanente?

Então o Stress pode aumentar problemas físicos e mentais e contribuir em muito, para o aumento de números verdadeiramente assustadores, como:

 

  • aumento de doenças cardiovasculares (30% de óbitos em Portugal/ano);
  • suicídios (3 pessoas/dia em Portugal e 1 pessoa a cada 40s no mundo);
  • depressão (em 2019, 322 milhões de pessoas no mundo sofria de Depressão segundo a OMS);
  • lesões musculoesqueléticas (Portugal tem uma taxa superior à média Europeia 66,3% vs 59%), etc.

 

E nas empresas, como se reflete esta realidade?

Nas “vida de todos os dias”, o impacto do Stress Ocupacional nas empresas é tão negativo que, quando não é gerido com êxito pelo colaborador, torna-se em stress crónico contribuindo de forma direta para a Síndrome de Burnout. Em 1974, o psicanalista Herbert Freudenberger denominou o Burnout como “um estado de esgotamento físico e mental, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional “, mas apenas a 1 de Janeiro de 2022, o Burnout entrará na nova Classificação Internacional de Doenças da OMS.

Os Custos do Stress, para as Organizações/Individuos, refletem-se:

 

  • na perda de produtividade (à volta de €3,2 mil milhões/ano);
  • no absentismo e presentismo (50% a 60% de dias perdidos provêm do stress laboral);
  • no aumento de acidentes de trabalho por erro humano;
  • no despelotar de conflitos no trabalho - a segunda maior cauda dos mesmos, representando uma perda de produtividade, em média, de 1dia/mês).

 

Como minimizar o impacto do Stress Ocupacional nas empresas?

Entre outras boas práticas a fomentar em contexto laboral, é importante que:

 

  • exista um boa comunicação entre colegas e chefias de forma a evitar situações de conflito;
  • se garanta boas condições físicas de trabalho;
  • se aposte na organização e gestão de tempo no desempenho das funções laborais;
  • haja "Tolerância Zero" a qualquer tipo de assédio e violência física e mental;
  • ações de vigilância da Saúde Física e Psicológica;
  • eliminar ou reduzir os fatores de risco psicossociais e promover ambientes de trabalho saudáveis;
  • serviços de Saúde Ocupacional na Empresa com equipas multidisciplinares.

 

É importante que as Organizações/Indivíduos aprendam a “escutar os sinais” e percebam que o binómio saúde/doença já não se concebe da forma como tradicionalmente o víamos. Atualmente é considerado como um produto de fatores diversos. Entre os quais, as consequências do stress, que ocupam um lugar proeminente, com custos a rondar os 136 biliões de euros, por ano, na Europa.

Escrito por: Marisa Vieira, Psicóloga Pós-graduada em Neuropsicologia Clínica | Responsável pelo Gabinete de Psicologia do Trabalho, Polidiagnóstico Empresas

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