Ruído em contexto Laboral

 

Elisabete Francisco, Técnica Superior de Segurança no Trabalho na Polidiagnóstico Empresas, responde a algumas questões para a revista Saúde do Região de Leiria, sobre Ruído em contexto Laboral.

1. Como é feita a medição do ruído no local de trabalho?

São medidos os níveis de ruído nos postos de trabalho e tarefas que cada trabalhador executa. Em seguida é necessário apurar qual a duração de cada tarefa que seja representativa das 8 horas de trabalho. O objetivo é obter o valor da exposição pessoal diária ao ruído (8 horas) no conjunto das várias tarefas.

2. Quais os níveis aceitáveis de ruído?

Os níveis de ruído deverão estar abaixo de 80 dB (A). Se a exposição diária ao ruído estiver entre 80 e 85 dB (A).  a legislação estipula a tomada de medidas como a realização de audiogramas de 2/2 anos e a disponibilização de proteção auditiva aos trabalhadores. Acima de 85 dB (A)., para a além de audiogramas anuais é obrigatório o uso de proteção auditiva devido aos danos causados na saúde auditiva do trabalhador.

3. Se um local tiver valores acima do estipulado por lei, como procedem?

É necessário escolher a proteção auditiva mais adequada para o trabalhador (que confira atenuação, mas não em demasia: deve permitir ouvir o ruído ambiente como alguém a chamar, um sinal sonoro, um veículo em circulação). Depois é necessário formar/informar os trabalhadores sobre os níveis de ruído existentes nos seus locais de trabalho, qual a sua exposição pessoal diária, quais as consequências da exposição ao ruído e qual a proteção auditiva que poderão usar.

Analisar com a entidade empregadora quais as medidas de prevenção que deverão e/ou poderão ser aplicadas nos locais de trabalho de forma a minimizar os níveis de ruído.

4. Como se faz a prevenção contra um ruído prejudicial à saúde?

Seguindo por esta ordem os princípios gerais de prevenção: Eliminar a fonte de ruído, se possível; Reduzir os níveis de ruído (manutenção/afinação de equipamentos, substituição por outros menos ruidosos, encapsulamento/isolamento as fontes de ruído; mudança de layout de modo a que os locais ruidosos fiquem isolados dos restantes para diminuir o nº de trabalhadores expostos; Aplicação de medidas organizacionais (organização dos tempos de trabalho, rotatividade entre trabalhadores para diminuição do tempo a realizar as tarefas mais ruidosas); Formação/Informação aos trabalhadores; Sinalização dos locais mais ruidosos, Disponibilização de equipamentos de proteção individual.

5. Quais os principais riscos a que os trabalhadores estão expostos quando trabalham com demasiado ruído?

Existem vários risco para a Saúde nomeadamente a perda de audição que poderá levar a surdez; alterações do sono; dores de cabeça; irritabilidade e agravamento de estados de depressão e ansiedade.

No caso da Segurança no Trabalho: perturbação na comunicação, perda da capacidade de concentração e cansaço. Todos estes fatores agravam o risco de acidente de trabalho.

Mas o principal risco é mesmo a negligência do próprio risco. Dado que a exposição ao ruído não dói, não se vê, e a perda auditiva só se sentirá a médio/longo prazo, este risco é na maioria das vezes desvalorizado pelos trabalhadores. A sensibilização no posto de trabalho, junto dos trabalhadores é fundamental! Por outro lado,  importa realçar que a exposição ao ruído é cumulativa não só proveniente do trabalho mas também de outros momentos fora dele, cabendo a cada um proteger-se.

Costumo dizer nos momentos de sensibilização: se quiserem ouvir os vossos netos, comecem a proteger-se hoje! Helen Keller, escritora americana que era cega e surda, disse: “a cegueira afasta-nos das coisas mas a surdez afasta-nos das pessoas“.

Pode aceder à notícia completa do Diretório Saúde do jornal Região de Leiria, clique deste link: https://shorturl.at/gtDR0

 

Voltar